terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Perspectivas tardias #2

Lembro-me como se fosse ontem. Além de reviver, constantemente, todos os pormenores dessa noite, consigo afirmar que por muitos dias perfeitos que possa ter, este nunca se vai igualar. 
O dia começou aparentemente normal. Estava sol, com uma brisa fria, mas suportável. Como era previsto, fiz o meu ritual matinal e arranjei-me. Sem pensar demasiado, peguei na roupa que mais estava à mão, uma saia justa preta, uma t-shirt cinzenta, as minhas sapatilhas de guerra e um gorro azul. 
Com metade do croissant na boca, peguei num par de casacos e corri para o carro.
Estava a ressacar por café, mas já não tinha tempo para voltar a casa e fazer, por isso preferi chegar ao meu destino e bebê-lo lá. A viagem foi entediante e longa, mas recheada de pensamentos meus. Por incrível que pareça não me passaste pela cabeça, era mais forte o stress para fazer trabalhos no limite da entrega. 
Mal cheguei ao café, liguei o computador e pedi um café. Com uma chávena cheia, pedi um cinzeiro e entreguei-me a horas a fio de trabalho. Sem tirar os olhos do ecrã, o cinzeiro ia enchendo e a chávena esvaziava. Quando dei por mim, era fim de tarde, tinha colocado o almoço e o lanche de parte, e a minha fome era tanta. Pensei em voltar para casa, mas depois de longo dia, conduzir durante uma hora e meia era o que menos queria fazer.
Automaticamente decidi em jantar por perto, oferecer um copo de vinho a mim própria depois do jantar e voltar para casa relaxada e finalmente despreocupada com qualquer trabalho. Depois do jantar, posso dizer que os meus planos mudaram uns 180º.
Depois de uma comida italiana, dirigi-me, mais uma vez sozinha, a um bar que conhecia. Pedi o meu merecido copo de vinho, e saboreei-o, gole por gole. Entretanto, tocaste-me no braço:
"Sozinha aqui? Então já não se manda mensagem?". Um arrepio correu a ponta dos meus cabelos até à ponta dos meus pés. Em segundos recuperei o fôlego e disse:
"Ah, não estava à espera de ver ninguém hoje. Vim trabalhar cedo para cá e depois quis distrair-me um bocado!", avaliei-te de cima a baixo, estavas mais sedutor que nunca.
"Se quiseres eu vou embora, e deixo que aproveites a tua própria companhia", disseste com aquele teu sorriso escarninho e provocador.
"Claro que não, senta-te, e bebe um copo! Eu acompanhava-te mas já estou servida, só bebo este copo hoje."
"Só esse? Nem penses em abandonar-me nesta batalha! Não conduzas agora à noite, bebe uns copos comigo e vemos onde esta noite nos leva...", subtilmente fizeste-me uma proposta, mas propositadamente deixei-a no ar.
Tu reparaste, fixaste o teu olhar no meu, depois no meu corpo e nas minhas expressões. Não me deixei intimidar, e respondi-te na mesma moeda. Ironicamente, gostaste da minha resposta.
Entretanto, mais copos fomos bebendo, mais cigarros eram acesos, e a conversa fluía pela noite. Provocações, piadas, assuntos sérios - conseguíamos falar de tudo, não existia tom ou tema. Nessa noite, as palavras eram nossas, qualquer coisa podia acontecer.
De repente perguntaste-me se jogava bilhar. Em qualquer altura da minha vida podia recusar, mas o teu convite era demasiado irresistível para passar ao lado.
A sala do bilhar cheirava imenso a tabaco e a homem, mas sinceramente, isso não importava. Estava ali sozinha contigo, a altas horas da noite, completamente desinibida, um pouco por culpa do álcool.
O jogo desenrolava, a nossa tensão acumulava. Estávamos os dois a explodir e ambos tínhamos essa noção, mas nenhum dava o primeiro passo.
Tinha chegado a um ponto que não aguentava mais. Enquanto fazias a tua jogada, sentei-me na beira da mesa. Tu olhaste para mim de uma forma desafiadora, ainda sem fazer o que quer que seja. Delicadamente, abri as pernas e fixei o meu olhar no teu, a afirmar que a próxima jogada era tua.
Percebeste perfeitamente aquilo que te quis transmitir porque, rapidamente me envolveste nos teus braços. Num movimento rápido e sensualmente grotesco, arrancaste as minhas meias calças, despiste-me toda a minha roupa. Em minutos fiquei nua e vulnerável ao teu olhar. Quis que ficasses num pé de igualdade, e despi-te, mas ao contrário de ti, com muita calma, para que explodisses de segundo em segundo. Quando nos olhámos, estávamos expostos, prontos a fazer o que precisávamos e queríamos tanto. Deixei-me ir e entreguei o meu corpo e alma a ti. Naquela mesa de bilhar, naquela noite, éramos donos das palavras, da paixão, da vulnerabilidade, do toque, e da explosão emocional.
Envolveste-me com os teus beijos, de que eu tinha saudade, com o teu toque um pouco duro mas seguro. Deste-me prazer e euforia como nunca ninguém conseguiu dar, só tu despertas esta sensação em mim. A noite estava a acabar e nós sabíamos disso. Beijaste-me e abraçaste-me mais uma vez. Vestimo-nos a rir, e mais uma vez a falar sobre nada e sobre tudo, saímos juntos da sala do bilhar.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

perspectivas tardias #1

Tu,

Estou sentada há algum tempo a debater no mesmo, e tu és a razão. Pela primeira vez, em algum tempo, voltei a pensar em ti, em nós, no que já se passou, e o caminho que percorremos até hoje. Não é que já não te tenha dito, mas acho que foi a "jornada" mais infeliz que alguma vez partilhei com alguém. Foi há um ano que tu deste um passo em frente, e eu deixei, sendo consequentemente arrebatada para os teus lábios e para o teu abraço. O que se passou é uma das situações que eu constantemente questiono, seja em que altura for na minha vida, tento sempre concluir se me arrependo ou não. Na maioria dos dias, o pensamento de ti faz-me contorcer de dores, de tão magoado que deixaste o meu coração. Mas ainda existem aqueles momentos (uma minoria, mas se calhar nem tanto) em que só quero subir a telhados, terraços, o que seja, e gritar a intensidade do que sinto por ti, para todos saberem que esta sensação existe. Estar apaixonada existe, e eu que pensava que era um mito. É a melhor e a pior sensação do mundo. Por muitos anos que passe, por muitos homens que tenha na minha vida, os meus filhos vão ouvir a história do primeiro homem que me mais me completou, tanto como me magoou. Entretanto, preencho as horas vagas, os momentos solitários, com alguém excepcional, atencioso, que merece o melhor. Alguém tão bondoso, que me tem na sua visão, como o melhor que tem, e que alguma vez terá. Egoísta como sou, agarro-me a esses factos, porque se não estou contigo, não consigo estar sozinha. E apesar de todos os planos e momentos que partilho com esse alguém, penso sempre na tua reacção, como se fosses tu ao meu lado.
Às vezes dou por mim a implorar à minha mente para trazer a memória (que só nós a partilhamos) de volta. Lembro-me de tudo, o momento parece quase palpável, mas rapidamente me escorre pelos dedos. Não sei se alguma vez sentiste o mesmo, ou alguma coisa remotamente semelhante, mas estou mentalizada de que não luto mais por ti, ou por nós. Estou cansada, e tu sabes bem disso. Se tivesse opção de escolha, optava pelo mais racional, e deixava-te ir. Fizeste, fazes e irás fazer sempre parte da minha vida, para o bem e para o mal. Só te posso agradecer por me dares a possibilidade de me poder sentir apaixonada pela primeira vez.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O começo.. Ou talvez não

Poderia dizer que o meu nome rima com alguma palavra e deixar a adivinha no ar, mas para já, vou dispensar apresentações. Decidi fazer alguma coisa de diferente, já que não é a primeira vez que administro blogs ou algo semelhante. O efeito desta página é para quase tudo, desde locais que fizeram a diferença, a concertos que me impressionaram, até fotografias da minha autoria ou de outros artistas. Não me quero alongar logo na primeira publicação, por isso, caso tenham lido isto ou não, em breve terão notícias minhas.

Até lá caros cibernautas!