O dia começou aparentemente normal. Estava sol, com uma brisa fria, mas suportável. Como era previsto, fiz o meu ritual matinal e arranjei-me. Sem pensar demasiado, peguei na roupa que mais estava à mão, uma saia justa preta, uma t-shirt cinzenta, as minhas sapatilhas de guerra e um gorro azul.
Com metade do croissant na boca, peguei num par de casacos e corri para o carro.
Estava a ressacar por café, mas já não tinha tempo para voltar a casa e fazer, por isso preferi chegar ao meu destino e bebê-lo lá. A viagem foi entediante e longa, mas recheada de pensamentos meus. Por incrível que pareça não me passaste pela cabeça, era mais forte o stress para fazer trabalhos no limite da entrega.
Mal cheguei ao café, liguei o computador e pedi um café. Com uma chávena cheia, pedi um cinzeiro e entreguei-me a horas a fio de trabalho. Sem tirar os olhos do ecrã, o cinzeiro ia enchendo e a chávena esvaziava. Quando dei por mim, era fim de tarde, tinha colocado o almoço e o lanche de parte, e a minha fome era tanta. Pensei em voltar para casa, mas depois de longo dia, conduzir durante uma hora e meia era o que menos queria fazer.
Automaticamente decidi em jantar por perto, oferecer um copo de vinho a mim própria depois do jantar e voltar para casa relaxada e finalmente despreocupada com qualquer trabalho. Depois do jantar, posso dizer que os meus planos mudaram uns 180º.
Depois de uma comida italiana, dirigi-me, mais uma vez sozinha, a um bar que conhecia. Pedi o meu merecido copo de vinho, e saboreei-o, gole por gole. Entretanto, tocaste-me no braço:
"Sozinha aqui? Então já não se manda mensagem?". Um arrepio correu a ponta dos meus cabelos até à ponta dos meus pés. Em segundos recuperei o fôlego e disse:
"Ah, não estava à espera de ver ninguém hoje. Vim trabalhar cedo para cá e depois quis distrair-me um bocado!", avaliei-te de cima a baixo, estavas mais sedutor que nunca.
"Se quiseres eu vou embora, e deixo que aproveites a tua própria companhia", disseste com aquele teu sorriso escarninho e provocador.
"Claro que não, senta-te, e bebe um copo! Eu acompanhava-te mas já estou servida, só bebo este copo hoje."
"Só esse? Nem penses em abandonar-me nesta batalha! Não conduzas agora à noite, bebe uns copos comigo e vemos onde esta noite nos leva...", subtilmente fizeste-me uma proposta, mas propositadamente deixei-a no ar.
Tu reparaste, fixaste o teu olhar no meu, depois no meu corpo e nas minhas expressões. Não me deixei intimidar, e respondi-te na mesma moeda. Ironicamente, gostaste da minha resposta.
Entretanto, mais copos fomos bebendo, mais cigarros eram acesos, e a conversa fluía pela noite. Provocações, piadas, assuntos sérios - conseguíamos falar de tudo, não existia tom ou tema. Nessa noite, as palavras eram nossas, qualquer coisa podia acontecer.
De repente perguntaste-me se jogava bilhar. Em qualquer altura da minha vida podia recusar, mas o teu convite era demasiado irresistível para passar ao lado.
A sala do bilhar cheirava imenso a tabaco e a homem, mas sinceramente, isso não importava. Estava ali sozinha contigo, a altas horas da noite, completamente desinibida, um pouco por culpa do álcool.
O jogo desenrolava, a nossa tensão acumulava. Estávamos os dois a explodir e ambos tínhamos essa noção, mas nenhum dava o primeiro passo.
Tinha chegado a um ponto que não aguentava mais. Enquanto fazias a tua jogada, sentei-me na beira da mesa. Tu olhaste para mim de uma forma desafiadora, ainda sem fazer o que quer que seja. Delicadamente, abri as pernas e fixei o meu olhar no teu, a afirmar que a próxima jogada era tua.
Percebeste perfeitamente aquilo que te quis transmitir porque, rapidamente me envolveste nos teus braços. Num movimento rápido e sensualmente grotesco, arrancaste as minhas meias calças, despiste-me toda a minha roupa. Em minutos fiquei nua e vulnerável ao teu olhar. Quis que ficasses num pé de igualdade, e despi-te, mas ao contrário de ti, com muita calma, para que explodisses de segundo em segundo. Quando nos olhámos, estávamos expostos, prontos a fazer o que precisávamos e queríamos tanto. Deixei-me ir e entreguei o meu corpo e alma a ti. Naquela mesa de bilhar, naquela noite, éramos donos das palavras, da paixão, da vulnerabilidade, do toque, e da explosão emocional.
Envolveste-me com os teus beijos, de que eu tinha saudade, com o teu toque um pouco duro mas seguro. Deste-me prazer e euforia como nunca ninguém conseguiu dar, só tu despertas esta sensação em mim. A noite estava a acabar e nós sabíamos disso. Beijaste-me e abraçaste-me mais uma vez. Vestimo-nos a rir, e mais uma vez a falar sobre nada e sobre tudo, saímos juntos da sala do bilhar.